A Vila Camocimtuba, em seus principais arruados, lá nos idos de 1940 era servida de alguns postes com lampiões. A iluminação chegou como revolução no lugar, acostumado aos pirilampos ou lanternas de petróleo. Candeeiros deitava aquela luz bruxuleante, acomodado em sua dignidade nas salas.
O administrador a época, lançou o chamado para uma nova profissão. A vilinha carecia de um acendedor de lampiões, função nobre de clarear as ruas para as atividades noturnas. Não demoraram aparecer candidatos da repartição administrativa. Todos preenchiam fichas e iam passar por uma seleção, junto à jurisdição de São José dos Bezerros. O selecionado teria o compromisso diário de acender as lamparinas públicas, sem falhar um dia. Receberiam o devido soldo e o mantimento de querosene para a semana. Cada poste seria abastecido com a quantidade suficiente para queimar até às 00h00min. Caso aceso, o acendedor deveria apagar a luminária.
Foi um primor o primeiro dia em que as luzes de querosene banharam a Siqueira Campos, largo da Capela de São Félix. Os moradores faziam questão de passear nas ruas. Cadeiras foram colocadas nas calçadas para apreciar a beleza e conversas duravam até quase 22h00min. Sr. José tomava conta direitinho e se orgulhava do ofício, zelando pela qualidade da luz. Na boca da noite, saia com a escada e uma haste que continha um pavio fumegante - a ignição para aceder cada luz. Uma nobre função. Veio até na Gazeta de Bezerros que a Vila Camocimtuba ostentava já sua iluminação pública, graças aos investimentos da prefeitura.
E o tempo corre...
Veio a luz elétrica a motor, cuja claridade, agora maior ficava até as 22h00min. Algumas casas já eram servidas pela energia. A capela, em tempo de festa do padroeiro, recebia iluminação de festa com lâmpadas incandescentes.
E hoje, a cidade brilha longe à luz de LED.
E tudo por culpa do acendedor de lampiões.
José Batista Neto –Agosto 2025
*Foto meramente ilustrativa
*Romanceada.

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