O tempo avança, cumprindo seu mister. No entanto, lembranças de domingos voltam e passeiam pela mente. O despertar do passado, com toques de presente, como presente para acalentar nossa estada.
Antigamente, a primeira chamada do sino da Matriz, no intenso frio de agosto, fiéis gasalhados seguiam para a Missa. Outros, para a Escola Dominical. Eu ficava observando a fé, que vencia os gélidos sopros da montanha, como quem vence o calvário da História. E seguiam. O sino novamente gemia. Ao longe um cão respondia, entrando na louvação.
Quem não ia ligava o rádio. A estática do AM ultrapassava as janelas e logo uma missa irradiada era ouvida. Nos oratórios, velas se acendiam. Nas casas menos remediadas, santos diversos e um quadro do Sagrado Coração recebia o louvor das chamas. Lábios que balbuciavam agradecimentos e novas preces, pedindo pela lavoura, comércio ou saúde. O sino mais uma vez se ouvia e mais cães ladravam, entrando em sintonia.
Ao final da Missa, as ruas eram tomadas. Cumprimentos trocados. Conversas reatadas. Um cheiro insistente de café e pão convidavam. Os cães silenciavam por um momento
E seguia o domingo.
José Batista Neto

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